Uma pequena história: Em 1949 termina a guerra. Começam a ser produzidos os jeeps civis, os CJs. Como o pensamento coletivo era que a economia tinha que girar, todos comprar, comprar e comprar para gerar empregos e renda (armadilha que nos prende até hoje…) começaram a exportar os Jeeps dos EUA para todo o mundo.

Em 1951 vários vieram para o Brasil. Eram os CJ3A. Muitos fazendeiros, com seus arados, e ainda com a raça que foi um dos motivos da vitória dos aliados. Vieram muitos para cá. Tantos que esse mercado abriu os olhos dos executivos da Willys. Era hora de montar uma fábrica neste lugar!
Chamem quem passar pela frente, laçem Brasileiros famintos por emprego, vamos fazer uma fábrica !
E por ali passava um filho de imigrantes, por força do destino, Alemães, fugidos da primeira guerra. Foi laçado, entrou, começou a trabalhar. Foi a primeira semente.
Os bairros por perto já estavam cheios de trabalhadores, casa a casa, lar a lar. Eram precisos mais, muitos mais. Pois então chamem os do interior, tragam as famílias, os parentes, os amigos, precisamos construir veículos.
Assim foi, veio um homem de Pedregulho, quase um asfalto, mais de 600 kilômetros de saudade, para trabalhar alí. E gostou. Trouxe vários, trouxe muitos. Menina simples do interior, sanfona nos ombros, também veio. Se já havia a semente, veio a fertilidade.
O alemão dobrava chapas, estampava jeeps. A moça no escritório. Já era 1957.

Resumindo a história: Ele, meu pai, e ela, minha mãe. Se conheceram na Willys Overland do Brasil.
Se acreditarmos no destino, tudo aconteceu, do fim da guerra, da importação de Jeeps 1951, da fábrica no Brasil por um só motivo: meu nascimento.